Você sabe pra que serve um cicloergômetro?

28/01/2020 16:27:20

Nos últimos anos, ocorreram avanços no campo da terapia intensiva, os quais resultaram no aumento da sobrevida dos pacientes criticamente enfermos. Contudo, a incidência de complicações decorrentes tanto dos efeitos deletérios do tratamento, como também da imobilidade associada à internação na unidade de terapia intensiva (UTI), contribuem para o declínio funcional, aumento dos custos assistenciais, redução da qualidade de vida e sobrevida pós-alta.

O repouso prolongado promove a inatividade do paciente, como consequência ocorre uma disfunção severa de vários sistemas, principalmente do osteomioarticular. Essas alterações atuam como fatores predisponentes para o desenvolvimento da fraqueza muscular adquirida na unidade de terapia intensiva, acarretando aumento de duas a cinco vezes no tempo de permanência da ventilação mecânica e no desmame ventilatório, o que pode comprometer a independência funcional de pacientes mesmo após um ano após alta hospitalar.

Um estudo realizado por Topp e colaboradores relataram que o paciente restrito ao leito diminui sua força muscular entre 1 a 1,5% ao dia, sendo que essa diminuição da força muscular é maior (1,3% a 5,5% por dia) com o paciente imóvel. Esses autores descreveram que a disfunção musculoesquelético proveniente da imobilidade varia de acordo com os grupos musculares e os tipos de fibras musculares. Para Honkonen e colaboradores, durante o período de imobilização observa-se atrofia imediata de fibras do tipo I e a atrofia das fibras do tipo II é observada após maior período de desuso.

Visando prevenir e minimizar essas sequelas, a fisioterapia, ciência capaz de promover a recuperação e preservação da funcionalidade, através do movimento humano e suas variáveis, enquadra-se com destaque nesta nova perspectiva assistencial e de gestão na equipe multiprofissional, atuando de modo eficaz nas unidades de terapia intensiva.

Estudos recentes trazem como resultado que a atuação da fisioterapia através da mobilização precoce que é definida como cinesioterapia motora iniciada precocemente em pacientes internados nas UTIs, é capaz de melhorar a força muscular e a independência funcional; reduzir ocorrência de delirium; diminuir o tempo de suporte de ventilação mecânica; reduzir a permanência na UTI e o tempo de internação hospitalar e aumentar a capacidade cardiorrespiratória a longo prazo.

O campo da mobilização precoce é amplo e o mesmo se utiliza tanto de recursos manuais, quanto mecânicos e a mobilização precoce inclui atividades terapêuticas progressivas, como mudanças de decúbito e posicionamento no leito, mobilizações passivas, exercícios ativo-assistidos e ativo livres, uso de cicloergômetro, eletroestimulação, treino funcional, sedestação, ortostatismo, marcha estática, transferência da cama para cadeira e deambulação, dentre eles vem ganhando destaque em alguns estudos a utilização da cicloergometria como modo auxiliar no manejo do paciente crítico.

O cicloergômetro é um aparelho estacionário, que permite rotações cíclicas, podendo ser utilizado para realizar exercícios passivos, ativos e resistidos com os pacientes. O mesmo apresenta destaque em vários artigos onde sua implementação no protocolo de tratamento apresenta-se como um recurso a mais na intervenção, além da aceitação e boa adaptação por parte dos pacientes.

Após a análise e comparação dos estudos, pode-se concluir que a utilização do cicloergômetro como recurso para o tratamento de pacientes críticos, principalmente de maneira precoce, auxilia na melhora da capacidade funcional, da força muscular periférica e respiratória, reduz a sensação de fadiga e dispneia. Além disso, não promove alterações cardiorrespiratórias que impeçam o uso da técnica, tornando-se assim, viável a sua utilização. Contudo, a cicloergometria não visa à substituição do uso da fisioterapia convencional. Estas técnicas, quando utilizadas em associação, promovem benefícios aos indivíduos internados em UTI.

Fonte: interfisio

Compartilhe:
  • Facebook
  • Twitter
  • Google+
Categorias: