Para que serve o oxímetro e quem deve usar em casa

21/09/2020 15:10:14

Um efeito recente da pandemia do novo coronavírus foi aumento no interesse por oxímetros, aparelhos que medem o nível de oxigênio no sangue.

Ao custo de algumas centenas de reais e sem necessidade de furar o corpo com uma agulha, esses dispositivos portáteis ajudam a saber quanto oxigênio seu sangue está transportando.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a aferição da oxigenação sanguínea é muito importante em caso de doença pulmonar.

“Quando seu nível de oxigênio é baixo, as células do seu corpo podem ter dificuldade de trabalhar apropriadamente.”, diz a SBPT em seu site. A organização alerta também que níveis muito baixos de oxigênio podem sobrecarregar o coração e o cérebro.

Como o oxímetro de pulso funciona?

Um oxímetro de pulso é uma pequena unidade que deve ser colocada no dedo, ou um dispositivo portátil que pode ser fixado ou adaptado também no lóbulo da orelha.

Feixes de luz do equipamento passam através do sangue (no dedo ou lóbulo) para mensurar a porcentagem do transporte de oxigênio. Este método também proporciona a leitura da frequência cardíaca (pulso).

Qual o nível normal de oxigênio no sangue?

A maioria das pessoas precisa de um nível de saturação de, no mínimo, 89% para manter suas células saudáveis. Uma redução desse valor por um curto período não deve causar danos ao corpo, mas longos períodos de baixa oxigenação podem causar problemas para as células.

As leituras dos oxímetros portáteis costumam ter um bom nível de precisão, variando, em média, 2% acima ou 2% abaixo do método tradicional por punção arterial. No entanto, o uso de esmaltes ou unhas postiças, bem como baixas temperaturas das mãos ou deficiência na circulação, podem afetar a leitura.

Devo ter um oxímetro em casa?

Depende. Especialistas dizem que a compra de um oxímetro como medida preventiva para detectar casos de Covid-19, além de não ser necessária, pode levar a erros e causar pânico de forma desnecessária.

Isso porque pacientes com o novo coronavírus apresentam sintomas como febre, dor no corpo, cansaço, dor de cabeça, dor de garganta, antes de apresentarem insuficiência respiratória.

"Nunca um paciente com Covid-19 vai ter como primeiro sintoma a queda na oxigenação no sangue", explica o médico pneumologista do Hospital Israelita Albert Einstein, José Eduardo Afonso Jr.

O pneumologista do Hospital Samaritano, Mauro Gomes, concorda com o colega. "Isso pode fazer com que uma pessoa que tenha um oxímetro em casa, cuja manutenção não esteja boa, constate uma oxigenação baixa e vá, desnecessariamente, ao pronto-socorro, correndo o risco de se contaminar", alerta o especialista.

A própria SBPT divulgou comunicado no qual não recomenda o uso irrestrito de oxímetro. A entidade ressalta que não há estudos científicos que indiquem o monitoramento e ressalta que "a decisão sobre usar ou não o aparelho em casa para monitorar o nível de oxigênio no sangue depende do médico".

Então, quando comprar?

Especialistas dizem que o monitoramento da oximetria, normalmente, é indicado para paciente com doenças preexistentes. Nesses casos, o médico deverá informar com que frequência o monitoramento deve ser feito, bem como qual mudança no fluxo de oxigênio deve ser vista como sinal para procurar atendimento médico.

Abigail do Val, de 77 anos, comprou um oxímetro por recomendação da fisioterapeuta do marido, que tem 86 anos, é cardíaco e teve pneumonia recentemente. Ela mede diariamente o nível de oxigênio no sangue do marido. "Ela nos orientou assim. É mais seguro e, dependendo do resultado, pode ser um sinal."

A microempresária Ellen Requejo, de 44 anos, comprou um oxímetro depois que leu artigo na imprensa internacional que relatava a baixa oxigenação como um sinal precoce de Covid-19. Ela conta que usa o equipamento para monitorar o pai, que tem 74 anos e tem doença de Parkinson.

"Uso o aparelho todos os dias de manhã e à noite com o meu pai", diz. Ela própria também usa, pois faz algumas semanas que teve alguns sintomas, como dor no corpo, tosse e diarreia e achou que teve contato com o vírus. "Acho que estamos meio ao 'Deus dará'", diz Ellen, fazendo referência à falta de soluções para a pandemia.

Fonte: CNN BRASIL

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