O que acontece com o sangue após a doação?

09/10/2019 14:40:29

No Brasil, todos os anos são feitas cerca de 3,4 milhões de doações de sangue. Teoricamente, estamos dentro do percentual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece que pelo menos 1% da população seja doadora. Entretanto, os especialistas sempre defendem que essa taxa precisa aumentar, principalmente no inverno, quando o estoque dos bancos de sangue despenca em todo País.

O sangue doado é essencial para os atendimentos de urgência, realização de cirurgias de grande porte e tratamento de pessoas com doenças crônicas, como a anemia falciforme e a talassemia (uma pessoa com esse tipo de anemia pode precisar de transfusão de sangue até 18 vezes em um ano). A coleta de sangue é bem rápida e costuma durar cerca de dez minutos.

A seguir, listamos as principais etapas pelas quais o sangue doado passa até chegar a quem precisa:

  • Depois que o processo de doação for concluído, tubos com amostras são enviados para laboratórios que irão analisar se o sangue pode mesmo ser doado e bolsas são encaminhadas para o setor de processamento do sangue. O serviço de hemoterapia vai dividir esse sangue em componentes:
    • Eritrocitários: concentrados de hemácias, indicados para tratar anemias e hemorragias agudas;
    • Plaquetários: utilizados para reposição nos casos em que os baixos níveis desse componente colocam o paciente em risco de hemorragia;
    • Plasmáticos: indicados no tratamento de pacientes com distúrbios de coagulação, como púrpura trombocitopênica.
  • Simultaneamente são realizados testes com as amostras para detectar a presença de sífilis, hepatites B e C, doença de Chagas, HIV I, HTLV I e II, além de testes imuno-hematológicos, que identificam o tipo de sangue e suas características específicas. Enquanto os resultados dos testes não chegam, as amostras ficam armazenadas temporariamente em local refrigerado. Esse processo é chamado de quarentena. Só são liberadas as bolsas com resultados não reagentes/negativos para os testes sorológicos e para os testes de detecção de ácido nucleico viral (NAT).
  • Após a obtenção dos resultados dos exames, os hemocomponentes são liberados e, em seguida, são emitidos rótulos com informações relacionadas à coleta e à liberação. Há regras específicas de armazenamento que os bancos devem seguir, como: glóbulos vermelhos (hemácias) são armazenados em geladeira, a temperaturas entre 2º C e 6º C. As plaquetas são guardas em temperatura ambiente, entre 20º C e 24º C, e o plasma é armazenado congelado à temperatura de 18º C negativos. Cada hemocomponente possui uma validade. As plaquetas, por exemplo, só podem ser utilizadas por cinco dias após a coleta do sangue. O plasma congelado, por sua vez, dura até um ano; glóbulos vermelhos, cerca de um mês. 
  • Quando há requisição de transfusão, são coletadas amostras de sangue do receptor para realização dos exames pré-transfusionais, que dirão qual tipo de sangue é necessário para aquele paciente.
  • Em alguns locais, como São Paulo, o sangue doado é processado em no máximo seis horas após a doação. Mensalmente, são coletadas e processadas cerca de 12 mil bolsas de sangue para o abastecimento de, em média, 100 unidades da rede estadual de saúde. Em casos extremos, como acidentes de grandes proporções, um estado pode ajudar outro fornecendo bolsas.

Fonte: drauziovarella.uol

 

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