O caminho do sangue: entre a doação e a transfusão

11/10/2019 10:24:59

Você já deve ter se perguntado qual é o caminho que o sangue doado percorre antes de ser submetido a uma transfusão e como são os cuidados para que ele chegue da melhor maneira ao paciente que precisa. Geralmente, as pessoas conhecem as etapas que antecedem a doação, pois são os processos aos quais são submetidos. Mas mesmo depois de coletado, o material passa por uma série de procedimentos e exames que garantem a preparação correta das bolsas de sangue. Isso para que, quando a transfusão ocorra, os hemocomponentes estejam corretamente preparados e possam ser transfundidos no momento certo e na quantidade adequada à necessidade do paciente.

Antes da doação

Quando um indivíduo procura um banco de sangue para realizar a doação, existem procedimentos que são seguidos à risca e servem como padrão para todas as pessoas. O primeiro passo é a identificação do candidato. Todos devem portar documento de identificação com foto e preencher uma ficha cadastral com dados que permitam identificá-lo. Um número de registro também será gerado. É nele que ficarão contidos os dados que serão atualizados a cada novo comparecimento no hemocentro.

Também fica a disposição um material com informações preliminares e orientações sobre doação de sangue, ou profissionais que possam responder a dúvidas do candidato à doação de sangue. Qualquer questionamento pode ser esclarecido nesse momento, como processo de coleta, riscos potenciais da doação de sangue, sinais clínicos, comportamentos sexuais e hábitos que oferecem risco acrescido para HIV e outros agentes transmissíveis pelo sangue, testes que serão realizados no sangue doado, realização de outros testes investigativos ou de pesquisa e condutas que devem ser adotadas em caso de resultados alterados dos exames.

Discutidas todas essas questões, o futuro doador passa para a triagem clínica, que consiste em uma avaliação clínica e epidemiológica, um exame físico, e a análise, por um profissional da saúde capacitado, das respostas do candidato a um questionário padronizado, que avalia a história médica atual e prévia, os hábitos do voluntário e fatores de risco para doenças transmissíveis pelo sangue. Todas as informações são confidenciais. Os sinais vitais também são aferidos (pressão arterial, pulso e temperatura), o peso e a altura, dosagem de hemoglobina ou medida do hematócrito. Ao final desse processo, o candidato pode ser considerado apto, inapto temporariamente, inapto definitivo e inapto por tempo indeterminado. Em todos os casos o paciente deve ser comunicado do motivo.

Caso o paciente seja considerado apto, deve assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para a doação, no qual declara ter recebido todas essas informações, ter resolvidas todas as suas dúvidas e que concorda em doar sangue.

A coleta de bolsas de sangue é feita com material descartável, estéril, e de uso clínico. O procedimento passa por um controle rigoroso para evitar a contaminação da unidade coletada, e o profissional treinado deve evitar complicações locais, como hematomas. A doação não dura mais de 15 minutos, e o processo todo dura em média 40 minutos. É necessária uma observação por alguns minutos antes da liberação do doador, para verificar se não há quaisquer sintomas. O indivíduo também é orientado a comer, aumentar ingestão de líquido, e evitar atividades físicas intensas.

Não procure os bancos de doação de sangue para obter testes para doenças infecciosas. Existem outros serviços mais adequados e especializados para conseguir esses testes. Além disso, é importante que o doador seja honesto durante todo o processo, lembrando que as respostas são sigilosas.

Depois da doação

Ao final da doação, os tubos de amostras são enviados aos laboratórios correspondentes e as bolsas são transportadas, em condições adequadas, para o setor de processamento do sangue total, para a produção e modificação de hemocomponentes. O serviço de hemoterapia “divide” o sangue em componentes eritrocitários (concentrados de hemácias), plaquetários e plasmáticos. Esses hemocomponentes podem ser modificados para atender necessidades especiais de alguns pacientes. São feitos testes de sorologia, biologia molecular e himuno-matológico, que é quando o tipo de sangue e suas características vão ser descobertas.

Enquanto os exames não chegam, as amostras ficam armazenadas temporariamente até a liberação do teste. Esse processo é chamado de quarentena. Só são liberadas as bolsas com resultados não reagentes/negativos para os testes sorológicos e para os testes de detecção de ácido nucleico viral (NAT), que são duas metodologias de testagem utilizadas atualmente no Brasil para o sangue doado.

Após obtenção dos resultados dos exames de qualificação do sangue do doador, os hemocomponentes são liberados no sistema informatizado e, em seguida, emitidos os rótulos de produtos liberados, que são firmemente afixados a eles, respeitando a identificação numérica ou alfanumérica que a bolsa traz desde a coleta e completando o rótulo com as informações da liberação. Os bancos também seguem a risca os procedimentos de conservação específicos de cada um dos hemocomponentes.

Passadas por essas etapas e diante de uma requisição de transfusão e sua prescrição no prontuário médico, são coletadas amostras de sangue do receptor. O profissional capacitado faz a coleta e identifica o paciente através de um bracelete. Os tubos com amostra também devem ser rotulados de maneira imediata. As amostras são encaminhadas ao laboratório para realização dos exames pré-transfusionais, que dirão qual tipo de bolsa para transfusão o paciente precisa.

Todos os cuidados são tomados antes de iniciar qualquer processo de transfusão, como conferir os dados e o tipo sanguíneo da bolsa, junto com a prescrição médica. Verificar as informações do paciente, aferir a temperatura, frequência cardíaca, pressão arterial e frequência respiratória do receptor também é uma etapa importante. Depois de iniciada a transfusão, o profissional de saúde deve acompanhar por no mínimo 10 minutos o paciente, com o intuito de evitar qualquer reação e problemas mais graves decorrentes do processo. Caso isso venha a acontecer, o médico deve definir as medidas que serão adotadas.

No Brasil, a doação de sangue é voluntária, anônima, altruísta e não remunerada, não devendo o doador ser remunerado ou beneficiado direta ou indiretamente pela doação. O sangue doado também não pode ter valor atribuído em qualquer tipo de cobrança. Além disso, no SUS não há nenhum tipo de custo repassado ao paciente em casos de transfusão. Se você acredita que houve cobrança indevida em alguma situação, ligue no 136, ouvidoria do SUS, ou procure o denasus.

Fonte: blog.saude.gov

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