Herpes em bebês: quais os riscos e como evitar?

31/07/2019 09:33:28

A polêmica é antiga: não pode beijar o bebê na boca devido ao risco de transmissão do vírus do herpes. A cada novo caso, a discussão volta à tona, mas ela sempre tem fundamento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 70% da população mundial tem o HSV-1 e 11%, o HSV-2, mas as estimativas variam muito entre os países. No Brasil, especialistas acreditam que mais de 90% da população adulta já tenha entrado em contato com o herpes vírus 1 e/ou 2.

Apesar de raro, quando a condição afeta recém-nascidos, ela pode ser muito perigosa, causando problemas neurológicos duradouros no bebê ou até levá-lo à morte. Por esse motivo são recomendados os devidos cuidados na maternidade.

Então eu não posso beijar um bebê? Segundo Mariane Franco, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), a preocupação tem fundamento. "É muito comum a família beijar a boca do bebê e as mãozinhas. Isso é totalmente equivocado e deve ser evitado, pois é uma porta de entrada para doenças graves, como herpes, impetigo ou acne neonatal", alerta Franco.

O toque pode ser feito em outras partes do corpo, como testa, pés e barriga. Franco ressalta ainda que os pais só devem sair com os filhos na rua após 60 dias, quando estiverem com as primeiras vacinas em dia.

Nessa fase da vida é importante evitar lugares aglomerados, pois a criança ainda está adquirindo imunidade e fica suscetível a pegar infecções. Além desses cuidados, é muito importante higienizar as mãos antes de encostar no bebê. Por meio delas é possível transmitir diversas doenças.

Outro agravante é o contato com pessoas que tiveram algum tipo de gripe ou resfriado nos últimos dias. O ideal é evitar qualquer tipo de visita, tanto na maternidade quanto em casa, se você estiver com essas doenças ou permaneceu com alguém que estava com o problema.

Indivíduos que entraram em contato com pessoas gripadas podem estar infectados e demorar até dois dias para desenvolver sintomas relacionados à doença.

Na dúvida, evite qualquer contato com crianças que têm menos de 30 dias de vida.

O que é herpes?

O herpes é uma doença infecciosa causada por um vírus que é extremamente comum na população, pois é transmitido com muita facilidade. Embora possa aparecer em qualquer parte do corpo, é mais comum se manifestar nos lábios, no rosto ou nos genitais, causando incômodo e constrangimento. O sinal mais característico é o surgimento de uma ou mais bolhas ou vesículas agrupadas sobre pele ou mucosa, que com o tempo se rompem, formando crostas, e depois se cicatrizam.

Todos os tipos de herpes vírus são transmitidos da mesma maneira: pelo contato direto da mucosa com fluidos corpóreos de alguém que foi contaminado, principalmente saliva. Muita gente pode não ter sintomas, ou apenas lesões muito discretas, e mesmo assim passar o vírus para outras. É por isso que o herpes é tão prevalente na população.

Os principais sintomas do herpes em bebês são:

- Lesões na língua, bochechas, palato, gengiva e lábios;

- Gengivas inflamadas;

- Dificuldade de engolir, com diminuição da ingestão de alimentos;

- Babar;

- Febre de até 40ºC, que pode ocorrer até cinco dias antes do aparecimento das lesões;

- Irritabilidade.

O herpes em bebês recém-nascidos pode ocorrer quando uma criança é exposta ao HSV no trato genital durante o parto. Nestes casos, é preciso avaliar o canal de parto, no momento em que a mulher for dar à luz, e se houver lesão ativa é necessário recorrer à cesárea.

A situação é rara: ocorre em cerca de 10 em cada 100.000 nascimentos em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O risco é maior quando a mulher se infecta pela primeira vez no final da gestação. Quando a infecção acontece antes de engravidar o risco de transmitir o HSV no parto é muito baixo.

Tratamento

O tratamento do herpes em bebês geralmente é baseado apenas na tentativa de reduzir os sintomas de febre e dor com o uso de analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios. Na fase de lesões agudas, é importante se atentar à alimentação da criança. Dieta mais líquida e pastosa, com pouco sal ou temperos fortes, é essencial para que ela sinta menos dor, assim como evitar o consumo de refrigerantes e comidas ácidas.

A higiene oral também não pode ser esquecida, já que o acúmulo de bactérias pode aumentar a inflamação e a dor.

Fonte: Uol Viva Bem

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