Conheça as técnicas para a utilização do KED,

16/09/2020 16:52:56

O uso desse dispositivo é frequente porque um dos principais passos do cuidado ao traumatizado é a “extricação”. Como sabemos, esse é um termo muito usado no meio e envolve retirar uma vítima de um local em que está presa ou não consegue sair com segurança usando suas próprias capacidades. Portanto, a principal função dessa ferramenta é a imobilização e estabilização, em conjunto com o colar cervical, de toda a coluna vertebral para que a retirada do paciente possa acontecer.

Trata-se de um equipamento tipo veste ou colete com a parte posterior rígida, que fica em contato com a cabeça, pescoço e a coluna vertebral, até a cintura pélvica. A parte anterior consiste em duas “abas” que envolvem a coluna em sua porção final e a pelve do paciente, que são presas uma à outra por três tirantes de diferentes cores (conforme o fabricante).

O KED foi idealizado e criado para a extricação de vítimas de veículos automotores, nos casos em que não é possível estabilizar seguramente o paciente em prancha longa, devido à sua posição dentro do veículo. O objetivo é estabilizar a coluna vertebral antes de proceder à imobilização completa em prancha longa. Porém, deve ser usado em vítimas conscientes e estáveis (sem risco imediato de morte ou complicação), em cenas seguras, que também não ofereçam risco à equipe de socorristas e somente quando o tempo não for a principal preocupação. Não se recomenda o uso do KED para pacientes inconscientes e/ou instáveis, devido à duração necessária para a sua correta colocação. Para esses pacientes, podemos utilizar técnicas de extricação rápida como a “Chave de Rauteck” e a “Anaconda”. A vantagem em usá-las está na rapidez de aplicação e no fato de que não demandam o uso de muitos equipamentos. Porém, não oferecem tanta estabilidade e proteção quanto o KED.

Como colocar o KED no paciente?

A técnica para colocação do KED exige de dois a três socorristas com treinamento para sua correta utilização, pois o posicionamento incorreto do dispositivo pode causar movimentos bruscos na coluna e, portanto, danos físicos no paciente. E tudo o que a gente menos quer é agravar a situação, não é mesmo?

Feitas a avaliação e a sinalização da cena, a vítima deve ser abordada juntamente com a estabilização manual da cabeça, mantendo-a em posição neutra, alinhada à coluna cervical.

Um segundo socorrista deve então colocar o colar cervical de tamanho adequado e proceder com a Avaliação Primária Completa (ABCDE). A vítima deve ser movimentada em bloco para frente, liberando espaço entre ela e o banco para a passagem do KED. O dispositivo deve ser colocado alinhado à coluna, com as abas posicionadas logo abaixo das axilas.

É importante lembrar que os tirantes longos (tirantes da virilha) devem ser soltos e posicionados por cima do colete, para facilitar sua fixação ao final.

Os tirantes devem ser bem presos e ajustados na ordem correta (por isso as cores diferentes) com o objetivo de envolver a vítima de forma uniforme. O primeiro a ser preso é o tirante central (abdominal), seguido pelo tirante inferior (quadril) e o superior (tórax).

É preciso ter cuidado nesse momento com casos em que esse método de colocar o dispositivo na vítima deve ser feito de maneira diferente. Em gestantes, por exemplo, o tirante abdominal e o torácico não devem ser tracionados, evitando a compressão abdominal.

Em todos os pacientes, os tirantes longos (virilha) devem ser então passados por baixo dos joelhos, de fora para dentro, e posicionados em linha reta com a prega glútea, acoplados e bem ajustados.

Por último, procedemos com a imobilização completa da cabeça. É Importante observar se há  espaço não preenchido entre a cabeça/coluna e o KED, dificultando o alinhamento correto. Se isso ocorrer, pode-se colocar um acolchoamento entre a cabeça ou coluna e o KED, para mantê-las alinhadas e em posição neutra.

As abas superiores devem ser posicionadas (segure-as juntamente com o colar cervical, pois isso permite uma troca cuidadosa e segura da imobilização manual da cabeça).

Para proceder à imobilização completa da cabeça, prenda-a com os tirantes (tirantes de cabeça) na lateral das abas, passando um tirante na altura da região frontal da cabeça e outro na altura da mandíbula, tomando cuidado para não comprimi-la ou prejudicar a ventilação por tração excessiva.

Nesse momento, já não é necessária a imobilização manual da cabeça, pois a mesma está completamente estabilizada.

Depois que todos os tirantes estiverem acoplados, verifique o ajuste de cada um, e então tracione o tirante do tórax de maneira que ele fique firme e não impeça ou prejudique a ventilação do paciente.

Se o socorrista seguiu esses direcionamentos, o paciente então se encontra com a coluna vertebral imobilizada. Mas o trabalho ainda está só no começo. O próximo passo é a retirada segura do veículo. Para isso, posicionamos a prancha longa na abertura do veículo (porta) com sua porção final entre o banco e as nádegas da vítima. Um socorrista deve segurar e tracionar a prancha contra o banco, impedindo que ela se movimente ou caia durante a movimentação do paciente.

O KED possui quatro alças, posicionadas paralelamente umas às outras: duas na altura da cabeça (superiores) e duas na altura do quadril (inferiores). Essas abas são necessárias para girar o KED com o paciente e retirá-lo do veiculo para a prancha longa.

Um socorrista deve segurar as abas do lado direito (superior e inferior) e outro socorrista as do lado esquerdo (superior e inferior). A vítima então vai sendo virada em sincronia, ao comando do profissional que está à direita da vítima.

À medida que se gira a vítima, suas pernas devem ser soltas da parte inferior do painel (uma por vez) e elevadas para o assento, impedindo que fiquem presas e sejam tracionadas. O paciente então é colocado sentado na prancha longa e, nesse momento, devem-se soltar os tirantes da virilha e das pernas abaixadas.

Os socorristas então fazem um movimento sincronizado para posicionar a vítima na prancha. O tirante de tórax pode ser afrouxado durante esse processo.

Com a vítima posicionada na prancha, o KED não pode ser removido e deve ser iniciada a imobilização completa (tirantes de tórax, quadril, membros inferiores e imobilização da cabeça –Head block e tirantes).

Apesar da função do KED ser a extricação de vítimas do interior de veículos, ao longo do tempo percebeu-se que o mesmo seria útil para outras técnicas, como a imobilização de quadril e fêmur em casos de fraturas (KED invertido) e para imobilização de crianças (na ausência da prancha infantil). Por isso é importante saber das peculiaridades de cada caso para não errar.

Fonte: iespe

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