Como manter a qualidade da água nos laboratórios

24/01/2020 13:32:55

Nos laboratórios analíticos, o controle de qualidade da água é fundamental. Utilizada como reagente químico, ela deve conter uma quantidade mínima de contaminantes como íons, matéria orgânica e micro-organismos.

Para todos os processos de análises a água precisa ser purificada. E cada processo requer um nível de purificação. A variedade de pureza da água (de pura a ultrapura) está baseada nas suas aplicações, tais como preparação de tampões, cultura de células, cromatografia, biologia molecular, histologia, HPLC, análise de TOC, preparação de reagentes e fotometria.

“Nos laboratórios de análises é fundamental o fornecimento de água em conformidade com as normas de qualidade para obter testes de diagnóstico com resultados precisos e reprodutíveis”, explica Dener Silva, gerente corporativo da Qualidade e Sustentabilidade do Grupo Hermes Pardini.

Claudio Hirai, diretor da BCQ Análises Microbiológicas, explica que os contaminantes da água são representados por dois grandes grupos: químico e microbiológico. “Em relação à contaminação microbiana da água ultrapura, eles são representados principalmente por bactérias, sendo originários da própria microbiota da fonte da água e também dos equipamentos de purificação. A contaminação também pode ocorrer devido a procedimentos inadequados de limpeza e sanitização, o que contribui para o surgimento dos biofilmes”. Os contaminantes mais comuns são dos gêneros Alcaligenes, Pseudomonas, Escherichia, Flvobacterium, Klebsiella, Enterobacter, Aeromonas e Acinetobacter.

A água contaminada com contaminantes químicos e/ou microbiológicos tem impacto direto na qualidade dos resultados analíticos, visto que a contaminação resulta na alteração da qualidade dos reagentes utilizados.

Os resultados laboratoriais de qualidade dependem da confiabilidade da instrumentação e da qualidade da água. Fatores analíticos precisam ser controlados e otimizados para reduzir o número de possíveis falhas que possam se refletir nos resultados. Além disso, a água é um reagente muito suscetível a contaminações mesmo após a etapa de purificação.

Existem purificadores que transformam a água potável em água reagente. Mas não basta comprar o aparelho e instalá-lo para ter essa garantia. É preciso verificar se a água recebida da rede de abastecimento é de boa qualidade.

O cloro excessivo na rede pode passar pelo filtro de carvão, danificar o equipamento e chegar à água, oxidando os reagentes e prejudicando os resultados dos exames.

“A água pode interferir nas análises dependendo da substância que estiver presente nela. Uma alta concentração de cloro acima do permitido pode interferir, por exemplo, na determinação de cloretos, bacteriologia e enzimologia; traços de metais podem inibir ou acelerar reações enzimáticas. O nível tolerável de substâncias presentes na água irá depender do processo para o qual a água será utilizada”, explica Dener Silva.

Se o laboratório optar por terceirizar o controle de qualidade da água reagente é recomendado buscar empresas com competência técnica comprovada, que sejam habilitadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou acreditadas pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), que segue a ISO 17025, norma que exige mais controle e rastreabilidade dos parâmetros de qualidade da água e é aplicável a laboratórios de calibração e ensaios.

Para um melhor controle de qualidade, no Hermes Pardini, segundo Silva, não é utilizada água estocada. “É utilizado um sistema fechado, no qual a água purificada vai diretamente para os equipamentos de produção. A água reagente poderá ser contaminada ou voltar as suas propriedades anteriores à purificação se ela for estocada. É preferível trabalhar com a obtenção de água purificada na quantidade suficiente para um dia”.

Segundo Hirai, da BCQ, a frequência de análise da água ultrapura deve estar baseada em algumas premissas: conhecer o padrão de qualidade da fonte de alimentação; estabelecer o padrão de qualidade da água purificada; desenvolver os protocolos de qualificação do projeto, instalação, operação  e desempenho do sistema de produção da água; estabelecer os parâmetros críticos, níveis de alerta e de ação e a periodicidade de sanitização e monitoramento dos pontos de uso; estabelecer um plano de manutenção de validação, incluindo mecanismos para o controle de mudanças nos sistemas de água,  e proporcionar subsídios para um programa de manutenção preventiva. “O monitoramento da qualidade da água deve abranger todos os pontos críticos e representativos do sistema, de acordo com o planejamento estabelecido, de forma consistente e contínua”, disse.

 Processos de purificação

Para remover as impurezas é necessário recorrer a uma combinação de tecnologias de purificação. Um dos sistemas mais utilizados para isso é o de osmose reversa, baseado na utilização de membranas semipermeáveis e com propriedades especiais de remoção de íons, microrganismos e endotoxinas bacterianas, removendo de 90% a 99% da maioria dos contaminantes

Silva, do Hermes Pardini, conta que este processo é utilizado no laboratório graças ao seu alto grau de eficácia. “A osmose reversa é um pré-tratamento da água. Quando instalamos nosso Núcleo Técnico Operacional em uma nova planta, verificamos que a água do local tinha um nível de dureza elevado. Essa característica é possível de ser alterada e a melhor opção custo-benefício para diminuir essa dureza e chegar ao ponto adequado foi a osmose reversa. Assim, esse tratamento melhora a qualidade da água que vem da rede”, explica Silva. Entretanto, substâncias voláteis e algumas substâncias orgânicas de baixo peso molecular podem passar através da membrana.

Segundo ele, todos os setores técnicos do Hermes Pardini exigem o uso de água ultrapura, porém, a pureza deverá atingir o seu grau máximo nas áreas de biologia molecular, cultura de células e HPLC.

Sistemas de purificação 

Ao optar por um equipamento para purificação é necessário entender quais as necessidades da empresa e qual será o uso dado ao equipamento. Entender a destinação da água, quantidade utilizada por dia e aplicação específica são algumas das perguntas que precisam ser respondidas. Com base nas respostas, fica mais fácil definir o sistema mais adequado. A fim de se acomodar em pequenos espaços em laboratórios, os sistemas devem ser flexíveis o suficiente para encaixe na bancada, para serem montados na parede ou armazenados em uma cabine.

Especificações de padrões de água pura (Tipo I, II, III) podem ser definidas pela sensibilidade e importância da aplicação ou por meio de um padrão industrial como o da Sociedade Americana para Teste e Materiais (ASTM) ou da Farmacopeia Europeia (EP). Os gerentes de laboratório devem revisar frequentemente as diretrizes relevantes de qualidade da água e aferir os  impactos da água sobre a aplicação de resultados laboratoriais durante todo o ciclo, incluindo a limpeza.

Fonte: labnetwork

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