A importância da qualidade da água reagente no laboratório clínico

03/02/2020 15:44:21

O fornecimento urbano de água apresenta moléculas orgânicas, íons inorgânicos, partículas, coloides, gases, bactérias e seus produtos, que podem alterar os resultados dos exames laboratoriais e causar eventuais erros e falhas mecânicas em equipamentos

Para remover essas impurezas, é necessário recorrer a uma combinação de tecnologias de purificação. Há várias organizações que especificam normas sobre a água reagente, a fim de minimizar sua interferência nos ensaios laboratoriais.

Tecnologias de purificação

Para se tornar adequada para a utilização no laboratório, a água deve passar por purificação para a eliminação dos contaminantes dissolvidos nela, tornando-se água reagente. O processo de purificação não é específico e pode ser decorrente de uma combinação de métodos para que atenda às especificações internacionais de qualidade.

Algumas medidas anteriores e posteriores ao processo de purificação da água podem ser necessárias para melhorar a eficiência do processo de purificação, como a manutenção preventiva e a limpeza das caixas-d'água e a instalação de filtros prévios ao sistema automatizado de purificação. O sucesso na produção de purificação da água deve-se aos equipamentos utilizados e à sua manutenção adequada.

Os processos de purificação são:

• filtração - processo de separação de partículas contaminantes presentes na água por meio da utilização de um material poroso, como filtros de carvão ativado ou de celulose;

• destilação - é usada para separar misturas homogêneas do tipo sólido-líquido, nas quais os componentes têm pontos de ebulição diferentes. O vapor da água aquecida é condensado, coletado e armazenado, removendo grande parte dos contaminantes;

• desinfecção por sistema ultravioleta (UV) - a água circula no reator de esterilização. Em contato com a luz, os microrganismos são inativados pela luz UV (na faixa de 250 a 270 nm), resultado do dano fotoquímico ao ácido nucleico. A localização da lâmpada deve ser anterior à troca iônica;

• deionização - é utilizada para remoção de substâncias inorgânicas, empregando-se colunas com resinas carregadas eletricamente, que permitem a troca seletiva de íons por compostos inorgânicos dissolvidos na água;

• eletrodeionização - é um processo contínuo, em que a água passa em canais, migrando para o canal de eletrodo, seguindo através de membranas permeáveis a ânions e cátions (canais de purificação) e, por fim, pelo canal de concentração. O campo elétrico criado faz que os íons removidos transitem por canais em que ficam concentrados, enquanto o produto transita por outro canal e é estocado. Para evitar a precipitação de carbonato de cálcio ou magnésio, existem partículas de carvão ativado entre as resinas de troca iônica que são continuamente regeneradas pela corrente elétrica;

• microfiltração e ultrafiltração - a membrana, que é colocada na saída do sistema de purificação, não permite que quaisquer partículas acima de 0,22 µm a atravessem, promovendo uma filtração esterilizante, como é o caso da microfiltração. Mais recentemente, a ultrafiltração foi proposta como uma forma de eliminar outros contaminantes não eliminados pela microfiltração, pois os poros do filtro são menores, variando de 25 a 3 kDa;

• osmose reversa - é o processo de passagem de água através de uma membrana semipermeável em um sistema de alta pressão, que força sua passagem pela membrana, retendo partículas, compostos orgânicos e bactérias.

A maioria dos laboratórios utiliza as normas estabelecidas pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) que classifica a água em: clinical laboratory reagent water (CLRW), special reagent water (SRW) e instrumental feed water (IFW).

O monitoramento da qualidade é realizado pela determinação de resistividade, condutividade, carbono orgânico total (TOC), controle microbiológico e endotoxinas. Os parâmetros são avaliados de acordo com a periodicidade estabelecida pela norma utilizada.

Fonte: scielo

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